sábado, 10 de enero de 2009

Troca de informação clínica entre os diferentes médicos do mesmo doente no ambulatório – Informação para Médicos Internos de Medicina Geral e Familiar

http://www.cmaj.ca/cgi/content/full/179/10/1013

O que é que já se sabe sobre este assunto?
A troca/intercâmbio de informação clínica entre médicos acerca de um determinado doente encontra-se num nível muito abaixo do desejável, mesmo em países com sistemas de saúde altamente desenvolvidos com o Canadá. Esta deficitária troca de informação clínica entre médicos afecta a continuidade de cuidados nos doentes, a qual está associada com melhores resultados em saúde. A continuidade da informação clínica é um dos aspectos essenciais a nível da continuidade de cuidados.

Que novidades traz este artigo?
Este artigo reforça a noção já consolidada através de estudos prévios de que a troca de informação clínica entre médicos não é boa.
Foi interessante constatar que apesar de ser mais provável os médicos de família e médicos assistentes dos doentes disporem de informações relativas a visitas prévias dos seus doentes a outros médicos (e portanto, parecer haver sinais de que estes médicos comportam-se como plataformas giratórias de informação para os doentes), o estudo também mostrou que os médicos de família e os médicos assistentes dos doentes apresentam uma menor tendência para transmitir informação clínica a outros médicos.

Que implicações tem este artigo para um Médico Interno de Medicina Geral e Familiar?
É frequente os médicos internos aperceberem-se desde o início do internato que a troca de informação entre os diferentes níveis de cuidados (sobretudo entre os cuidados de saúde primários e secundários e vice-versa). Um interno de Medicina Geral e Familiar em Portugal está mais habituado a deparar-se, durante os estágios hospitalares, com a paucidade ou mesmo ausência de comunicação escrita ou oral entre os médicos dos cuidados de saúde secundários e terciários, e que está relacionada com vários motivos, que não irei desenvolver aqui.
O internato é importante para a aquisição duradoura de certos hábitos relacionados com a nossa conduta e ética profissional. Os médicos internos devem habituar-se desde o primeiro dia do internato a escrever cartas de referenciação/informação clínica. Durante os períodos de consulta nos estágios hospitalares, devem ganhar o hábito de responder às cartas de referenciação enviadas pelos médicos dos Cuidados de Saúde Primários, ou então encorajar os seus orientadores dos estágios hospitalares a fazê-lo nas suas consultas. Nos períodos em que realizam urgências, os internos devem ser estimulados a escrever nem que seja uma breve nota de informação clínica no momento em que dão altas aos doentes na urgência (a nota deve incluir motivo de admissão na urgência, achados relevantes da história, exame objectivo e exames complementares de diagnóstico pedidos e terapêutica para o ambulatório) para que os médicos assistentes destes doentes possam tomar conhecimento destas ocorrências.

No hay comentarios: