sábado, 14 de febrero de 2009

Exposição materna a antagonistas do ácido fólico e respectivas consequências a nível da placenta durante a gravidez

INFORMAÇÃO PARA O PROFISSIONAL DE SAÚDE -

O artigo aqui discutido tem o título "Maternal exposure to folic acid antagonists and placenta-mediated adverse pregnancy outcomes", e foi publicado no CMAJ no número de 2 de Dezembro de 2008.

O que é que já se sabe acerca deste assunto?
Os fármacos conhecidos como antagonistas do ácido fólico (alguns dos quais muito utilizados com o trimetoprim-sulfametoxazole e alguns anti-convulsivantes) estão associados, em mulheres grávidas, com um risco aumentado de anomalias no feto, nomeadamente defeitos do tubo neural, a nível do sistema cardiovascular, do aparelho urinário e fenda palatina.

Que novidades traz este artigo?
Para além dos efeitos já conhecidos dos antagonistas do ácido fólico em termos de morbilidade fetal, este estudo mostrou que esta classe de fármacos está associada com um risco aumentado de pré-eclâmpsia, placenta abrupta, restrição do crescimento fetal, e morte fetal. Esta associação é do tipo dose-resposta. Estes riscos parecem ser superiores no caso das formas graves de pré-eclâmpsia e de restrição do crescimento intra-uterino.
A exposição durante a gravidez aos antagonistas do ácido fólico parece ser superior em mulheres mais novas, com menor paridade, e que estejam a receber assistência social.


Que implicações tem este artigo para um Médico Interno de Medicina Geral e Familiar?
Este estudo põe em causa a classificação actual da Food and Drug Administration sobre o uso de medicamentos na gravidez, uma vez que os autores consideram que os antagonistas do ácido fólico deveriam de ser reclassificados como constando da categoria D e não da categoria C.
Os Médicos Internos de Medicina Geral e Familiar em Portugal fazem um estágio de Obstetrícia durante o seu internato, e fazem ainda consulta de seguimento de grávidas no Centro de Saúde. Em muitas ocasiões, terão que tomar decisões sobre a terapêutica de intercorrências da gravidez ou relativas a co-morbilidades, em que poderão ter que equacionar o uso de antagonistas do ácido fólico. É assim importante que os internos tenham consciência de que estes fármacos devem ser por regra evitados na gravidez, ponderar terapêuticas alternativas, e que informem devidamente as grávidas dos riscos associados à ingestão de antagonistas do ácido fólico.

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